23 março 2017

num dia em que me roubaram a carteira

Foi há cerca de sete anos. Uma das minhas filhas fazia 25 anos e a família restrita reuniu-se num jantar para celebrar.

Foi ela que tomou a iniciativa da conversa dizendo que na véspera tinha estado a jantar com um amigo.

Por curiosidade, perguntei:

-E quem pagou o jantar?

-Pagámos a meias...

-A meias!?...

Ela abriu os olhos com  espanto e respondeu:

-Sim ... a meias...

Nessa altura, eu disse:

-Olha... esse rapaz pode ser muito teu amigo... mas não serve para teu marido...

O espanto dela era agora ainda maior.

Mas eu expliquei:

-É que para poder ser teu marido devia ter pago o jantar e ainda por cima agradecer a tua companhia...

Ela já sorria de incredulidade e os olhos abriam-se mais, à volta era o silêncio.

E eu perguntei-lhe:

-Já viste a tua mãe alguma vez pagar um jantar?

Ela nunca tinha visto.

(Mas de então para cá já aconteceu. Foi há cerca de dois anos, num dia em que me roubaram a carteira.)

13 de Maio

No dia 13 de Maio mais de um milhão de pessoas vão a Fátima gastar dinheiro com uma mulher.

Simbolicamente, é esta a diferença entre os países do sul da Europa e os países do norte da Europa sujeitos à influência protestante. Nestes, nunca se encontrará semelhante homenagem à figura da mulher.

É desta diferença que resultam todas as dificuldades por que está a passar a União Europeia.

Só o pensamento católico começa por perguntar-se o que é um homem e o que é uma mulher, e como se relacionam entre si. As ideologias protestantes - liberalismo e socialismo - assumem que homem e mulher são iguais e procedem como se isso fosse verdade. É um erro fatal.

22 março 2017

da desfeminilização das mulheres

O protestantismo foi, em primeiro lugar, um violentíssimo ataque ao estatuto da mulher na sociedade. Só os países que permaneceram católicos, e não obstante as ofensivas protestantes, é que conseguiram guardar esse estatuto da mulher.

Perguntar-se-á, mas o protestantismo não foi, em primeiro lugar, um ataque à Igreja Católica? Claro que foi, mas o que é a Igreja Católica senão, ela própria,  uma mulher (Maria)?

Das duas principais correntes que saíram do protestantismo - o luteranismo e o calvinismo - a primeira é muito mais anti-mulher do que a segunda. E assim se passa, por consequência,  com as duas ideologias que saíram, respectivamente, de uma e de outra - o socialismo é muito mais anti-mulher do que o capitalismo.

Nós estamos a passar actualmente em Portugal, sob o impulso de partidos socialistas radicais a influenciar o Governo, uma fase anti-mulher que só encontra paralelo no período da Primeira República, também ele dado a radicalismos socialistas.

A novidade é que, no Parlamento, esse movimento anti-mulher é hoje conduzido, em grande parte, por mulheres - mulheres que são o exemplo acabado da desfeminilização das mulheres.

O gado era outro

É claro que o ministro Dijsselbloem tocou no ponto fulcral. O que faz a diferença entre os países do norte da Europa e os países do sul, entre os países de cultura predominantemente protestante e os países de cultura predominantemente católica (ou ortodoxa, como a Grécia), são as mulheres.

Foi por não ter sido atendida esta diferença que os países do norte têm hoje superavits nas suas contas externas e os do sul défices; que o euro é um projecto destinado ao falhanço; e que a União Europeia está a entrar em fase de desagregação também por causa disso.

E a diferença está em que os países do sul da Europa valorizam muito mais as mulheres do que os países do norte.

É certo que o ministro holandês, naquela expressão "copos e mulheres", parece não estar a referir-se às mulheres em geral mas a um certo tipo de mulheres. Mas mesmo estas últimas são muito melhor tratadas nos países do sul do que nos do norte. O país do ministro é conhecido, aliás, por ter sido o primeiro a expô-las em montras como qualquer mercadoria.

O nosso Ramalho Ortigão era um pouco bronco, e bastante provinciano, e um dia foi passear para a Holanda com o intuito de escrever um livro de viagens, que acabou por escrever com esse título. Veio da lá muito impressionado, entre outras coisas, com as feiras de gado que viu na Holanda.

Ora, eu fui à Holanda pela primeira vez cerca de um século depois do Ramalho Ortigão. O meu objectivo  também era o de ver uma feira de gado. E vi, em Amsterdão. Só que o gado era outro.

21 março 2017

As mulheres

As mulheres no centro da cultura católica (e ortodoxa) dos países do sul da Europa.

Os copos é para festejar.

Nos países do norte da Europa eles festejam mais os homens.

(What a discrimination, spending money on women! This guy, Dijsselbloem, does not know that in little Portugal the women-filled CIG and the Squeaky girls are watching him. They will put him in jail - 5 years!. If not for other reason, possibly because they cannot find a man who would spend money on them).

PS. O Jornal Oficial está indignado.

19 março 2017

Dia do Pai

Nenhum par de adolescentes chateia a mãe desta maneira quando o pai está por perto.

a face do socialismo

17 março 2017

retribuir-lhes

A semana passada comemorou-se o Dia Internacional da Mulher. Ainda li alguns artigos de opinião sobre o assunto mas, em breve, desisti. Não encontrei nenhum articulista ou comentador que tivesse para dizer às mulheres nesse dia aquilo que eu tinha, e gostaria, de lhes dizer.

O tema dos artigos era invariavelmente o da igualdade, e os progressos que tinham sido feitos ao longo das últimas décadas no sentido de tornar as mulheres mais iguais aos homens.  Ora, há muito que eu me tinha posto a questão de saber como é que seria o mundo se todas as mulheres fossem iguais a mim.

E cheguei à conclusão que seria miserável.

Nessa altura decidi mesmo  alargar o âmbito da questão. Como sou homem e não devo ser muito diferente dos outros homens (a afirmação de que "os homens são todos iguais" é  sobretudo verdadeira mas quando aplicada às mulheres é sobretudo falsa), interroguei-me como é que seria o mundo se todas as mulheres fossem iguais aos homens.

E cheguei à mesma conclusão, seria um mundo miserável (embora um pouco menos miserável do que se elas fossem todas iguais a mim).

Posto isto, o que é que eu tinha para dizer às mulheres nesse dia, e que digo agora com atraso?

O seguinte:

As melhores coisas que eu tive na vida foram-me dadas por mulheres.
Obrigado.

A minha dificuldade é em retribuir-lhes.

Mas estou a fazer um esforço. O assunto sobre o qual tenho vindo a escrever ao longo dos últimos dias é parte  desse esforço. Normalmente, elas aceitam gratamente a retribuição se fôr feita nas pessoas dos filhos delas, ou dos netos.

16 março 2017

Bluff

Quando, em Janeiro, o Ministério da Saúde anunciou em grandes parangonas que libertava 21 milhões de euros para construir a nova ala pediátrica do Hospital de S. João, a surpresa, entre as pessoas directa ou indirectamente ligadas a esta obra, foi geral.

Mas não para mim. A mensagem dirigida à Associação mecenática que está a realizar a obra era clara: "Vão-se embora que já não precisamos de vocês". Nos dias seguintes, esta mensagem teve desenvolvimentos concretos que eu prefiro aqui omitir.

A Associação mecenática permaneceu firme no terreno com o estaleiro da obra instalado no local à espera que o HSJ desocupe o espaço para que os trabalhos possam prosseguir.

Ainda que fosse verdadeiro, o anúncio vinha tarde. Há contratos e compromissos firmados pela Associação mecenática - alguns envolvendo o próprio Ministério da Saúde e o HSJ, que está sob a sua tutela - que vão ter de ser cumpridos, e a obra feita.

O pior - o pior, mesmo -, como se viria a confirmar a semana passada, é que era tudo mentira - o Ministro da Saúde não tinha nada os 21 milhões que anunciara para fazer a obra.

Conclusão: o Ministro da Saúde não faz nem quer que se faça (a título gratuito para o Estado) um hospital pediátrico que substitua o barracão metálico - em que, por vezes, falta o aquecimento e  chove lá dentro - onde, desde há nove anos, estão internadas as crianças no Hospital central da região Norte e que é o segundo maior do país.

Logo a seguir, numa intervenção no Porto Canal chamei-lhe mentiroso e cruel. Já expliquei em baixo por que é que lhe chamei mentiroso. Faltava explicar por que é que lhe chamei também cruel.

não gora nada

Gorada... Que engraçado...gorada...do verbo gorar...

Ora agora goras tu ora agora goro eu...

Então, esta obra que é:

1) Doada por uma Associação mecenática ao Estado, e cuja aceitação foi objecto de um despacho do Ministério da Saúde;

2) Que é de utilidade pública, tal como reconhecida pelo Ministério da Segurança Social, que atribuiu tal estatuto à Associação mecenática que tem por missão realizá-la.

3) Que mobilizou centenas de mecenas entre pessoas singulares, empresas e outras instituições, e muitos mais são esperados no futuro;

4) Que é objecto de um contrato de empreitada assinado entre a Associação mecenática e um consórcio de construtoras no valor de 20,2 milhões de euros, o qual é do conhecimento do Ministério da Saúde, e foi submetido ao escrutínio do Tribunal de Contas;

5) Que é enquadrada por um Protocolo Tripartido entre a Associação mecenática, o Hospital de S. João (com a aprovação da tutela, o Ministério da Saúde) e o consórcio  construtor, o qual também foi submetido ao escrutínio prévio do Tribunal de Contas;

6)  Que foi inaugurada pelo Primeiro-Ministro do país;

7) Que está no terreno e que já foram realizados trabalhos pelos quais a Associação mecenática  pagou quase um milhão de euros à construtora, e que só não avança porque o actual Governo deu ordens ao HSJ para não cumprir o Protocolo que assinou;

8)  Em que o dono da obra - a Associação mecenática - se mantém firme no local da obra  à espera que o Ministério da Saúde (via HSJ) cumpra aquilo que assinou e desimpeça o espaço para que a obra possa prosseguir

esta obra, dizia, é para ser gorada por quem?

Pelo ministro Betinho?

Ele que tire daí a ideia.

Aqui o ministro Betinho não gora nada.

Se há uma pessoa que teria capacidade para gorar tudo isto seria eu.

E eu, obviamente, decidi não gorar nada.

Está tudo de pé. E firme que nem uma rocha.

15 março 2017

gorada?

Transcrição do e-mail enviado ontem à jornalista Natália Faria do Público:


Cara Natália,

Sobre a sua notícia de ontem acerca da ala pediátrica do HSJ, a frase final

"... gorada que foi a tentativa de fazer avançar a obra por via do mecenato."

não corresponde à verdade e é danosa para as pessoas e instituições que se juntaram em torno da Associação Joãozinho e cuja generosidade tornou possível pôr de pé um projecto credível para a realização desta obra, a qual está a decorrer e que só se encontra interrompida porque o Ministério da Saúde (via HSJ) não está a cumprir aquilo que assinou.

A este propósito remeto-a para  a Mensagem do Presidente aqui:

http://associacaojoaozinho.niuiu.com/

e estou naturalmente ao seu dispôr para prestar os esclarecimentos que considerar adequados.

Creia-me com os melhores cumprimentos.


Pedro Arroja
Presidente
Associação Humanitária "Um Lugar para o Joãozinho"

Parlamento

O assunto chegou ao Parlamento. E o ministro está a ser apertado. Naturalmente, mete os pés pelas mãos. Não se consegue mentir indefinidamente em público sem um dia se ser apanhado:

Já questionado sobre um despacho que na semana passada retomou o estudo sobre a nova ala pediátrica do Hospital de São João, que a Administração Regional de Saúde do Norte anunciou em janeiro que já tinha sido aprovado pela tutela, Adalberto Campos Fernandes falou de um “despacho-tipo” para dar seguimento a projetos pendentes nos hospitais e que requerem investimentos avultados e disse que estava em causa apenas a articulação do projeto funcional.

Os deputados do PSD só questionaram o ministro sobre este projeto, mas recorde-se que na semana passada saíram cinco despachos do mesmo género e também a nova maternidade de Coimbra voltou a estar em estudo, quando o projeto também já tinha sido aprovado pela tutela. Todos os despachos pedem um relatório até 15 de abril, para habilitar decisões políticas. Na semana passada o i procurou obter esclarecimentos do ministério sobre o significado desta data, sem sucesso. (aqui)