22 junho 2017

a incúria

Exmos. Senhores
Dr. Manuel Delgado, Secretário de Estado da Saúde
Prof. Dr. Fernando Araújo, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde
Dr. António Oliveira e Silva, Presidente do Conselho de Administração, Hospital de S. João


Caros Senhores,

Tomei conhecimento no início do mês de mais um anúncio da construção da Ala Pediátrica do HSJ:

http://www.dn.pt/lusa/interior/hospital-de-s-joao-com-nova-ala-pediatrica-concluida-em-2020-8524882.html

É o segundo este ano -  e o ano ainda só vai a meio.

O primeiro foi feito em Janeiro,

https://www.publico.pt/2017/01/19/local/noticia/ministerio-da-saude-disponibiliza-21-milhoes-de-euros-para-ala-pediatrica-do-sao-joao-1758957

e era obviamente falso, como se veio a confirmar pouco depois:

https://dre.tretas.org/dre/2904631/despacho-1952-A-2017-de-7-de-marco


O que esperar deste? O mesmo. Nenhum passo concreto foi dado para concretizar a obra . É puro espectáculo para a comunicação social.

Na realidade, não deve existir obra no país mais anunciada por Governos - o vosso e anteriores -, e nunca concretizada.

A única instituição que anunciou a obra e a começou foi a Associação de que sou Presidente. Infelizmente, logo que o vosso Governo tomou posse tratou de impedir o seu progresso, não desocupando o espaço que a Administração do HSJ se vinculou a desocupar em Protocolo assinado com esta Associação e o consórcio de construtoras. A obra está parada há 15 meses à espera que os Senhores cumpram, ou dêem ordens para cumprir,  aquilo a que estão vinculados.

Venho por este meio, mais uma vez, solicitar que o façam a fim de que esta Associação possa prosseguir a obra.

O Estado deve dar o exemplo a respeitar os compromissos que assume. Mas os Senhores parecem não dar importância a isso. Não fazem nem deixam fazer - ou melhor, neste caso é por ordem inversa, não deixam fazer nem fazem.

As condições em que estão alojadas as crianças doentes deterioram-se a cada dia. Chove lá dentro e o ar condicionado não funciona:

https://www.publico.pt/2017/01/19/local/noticia/sucessivas-falhas-no-internamento-do-sao-joao-comprometem-bemestar-das-criancas-1758777

Eu receio que seja necessária uma tragédia com algumas semelhanças com aquela que acaba de ocorrer em Pedrógão Grande - em que a principal será a incúria -  para que os Senhores façam alguma coisa.

Não compreendo como conseguem viver todos os dias com este fardo.

Nesta data estou a dar conhecimento desta missiva à comunicação social que, infelizmente, parece ser a única instituição capaz de vos fazer mexer.

Com os melhores cumprimentos.

Pedro Arroja
Presidente

morte não-assistida

Mas se isto se faz em tão pouco tempo, por que é que não fizeram antes para prevenir a tragédia?

Claro. Um Parlamento que utiliza o seu tempo para discutir a morte assistida, depois é natural que não lhe sobre tempo para discutir os assuntos relativos à morte não-assistida.

21 junho 2017

contra o celibato

"Como foi possível?; como chegámos aqui?; o que falhou?".

Foi possível - e chegámos aqui - porque proteger os homossexuais contra o celibato e proteger as crianças órfãs contra  casais adoptivos heterossexuais (duas das primeiras leis aprovadas pelo Parlamento nesta legislatura) é mais importante do que proteger todos os portugueses contra os fogos florestais (nenhuma lei aprovada pelo Parlamento nesta legislatura).

O que falhou? O sentido das prioridades.

Trovoada Seca

marina disse...

o que é fantástico é as esganiçadas não darem sinal de vida. tb é fantástico a forma benevolente como os merdia tratam o Costa ( pede explicações quem as tem de dar? absurdo) , tb é fantástica a figura patética da ministra ( uma sopeirinha do partido? figurinha mais triste).



Claro que as meninas do BE não dão sinais de vida. A prioridade delas - a primeira lei que fizeram aprovar no Parlamento nesta legislatura -, foi a de permitir o casamento aos homossexuais. Comparado com isso, fazer leis que protejam as florestas não tem importância nenhuma.

De facto, um dos episódios mais engraçados desta triste história é o Primeiro Ministro a pedir informações (por Despacho!) que ele próprio deveria dar. E o Presidente da República, na noite de Sábado, a anunciar a causa do incêndio: Trovoada Seca. (Duas horas depois, a PJ já tinha encontrado a árvore atingida pelo raio)

A comunicação social portuguesa continua simpática. Mas aqui os nossos vizinhos do lado prevêem Trovoada. E não é Seca.   

20 junho 2017

facilmente enganáveis

Coitados... os jornalistas são pessoas facilmente enganáveis.
A razão é que - na sua maioria - publicam tudo aquilo que lhes dizem.
E, então, se vier de fonte oficial...
A cabeça deles, aparentemente, não serve para nada.

A propósito: afinal, não houve trovoada (seca)  nenhuma onde, segundo a comunicação social, a PJ descobriu uma árvore atingida por um raio.
Mas se, em semanas, a PJ não descobriu o Pedro Dias numa floresta limpa como é que ia, em poucas horas, descobrir uma árvore atingida por um raio numa floresta a arder?

PS. E quanto mais se procuram ilibar mais se enterram. Então e se a Protecção Civil tivesse dito que era um traque? Vocês teriam reportado: "Grande Traque em Pedrógão Grande".

18 junho 2017

E agora?

O Governo é o responsável pela redução do défice.
O Governo é o responsável pelo aumento do crescimento económico.
O Governo é o responsável pelo boom no turismo.
O Governo é o responsável pela diminuição do desemprego.
Praticamente, tudo aquilo que no último ano e meio tem acontecido de bom - e não foi pouco -  no espaço público de Portugal tem sido responsabilidade e mérito do Governo.

E agora?

O Jornal Oficial pergunta: O que é que falhou neste Sábado?

Nada. Absolutamente nada - as falhas são de "há décadas", não do último ano e meio, porque em ano e meio não é possível fazer nada.

Foi o raio do raio e o raio da árvore.

A propósito: Qual é a árvore?


11 junho 2017

O nosso Presidente

O nosso Presidente - segundo ele próprio - foi ao Brasil receber o Presidente do Brasil, a pedido deste:

“Houve um pedido do senhor Presidente da República Federativa do Brasil, supondo que podia estar em São Paulo amanhã [domingo] de manhã, e pediu para ser recebido", informou o Presidente, acrescentando que depois "surgiu um problema no programa do senhor Presidente da República Federativa e, pedindo muita desculpa, disse que não estava com disponibilidade de horário para poder aparecer". (aqui)

08 junho 2017

Nem com a CMVM

Creio que uma boa parte do sucesso económico de Portugal durante o Estado Novo se deveu ao escrupuloso cumprimento dos contratos em que o Estado dava o exemplo - um exemplo que depois passava a toda a sociedade.

Muitos contratos, especialmente em pequenos negócios, nem sequer eram passados a escrito. Eram fechados com base na palavra dada.

A revolução democrática do 25 de Abril alterou radicalmente esta cultura de cumprimento dos contratos e da palavra dada. Em breve o Estado se tornaria o principal caloteiro do país e o maior incumpridor.

Quando Salazar faleceu em 1968 o Estado pesava apenas 16% na economia (20% à queda do regime em 1974). A pequenez do Estado não o impedia de ser o maior exemplo de cumpridor contratual.

Hoje, o Estado pesa 50% na economia e o seu exemplo é ainda maior, mas agora como incumpridor. Se o Estado, com este peso, não cumpre os seus compromissos, como se pode esperar que os outros agentes económicos - pessoas e empresas cada vez mais dependentes dele - o façam?

Como pode uma empresa que tem o Estado como cliente pagar atempadamente aos seus fornecedores, se o Estado não lhe paga a horas? A cultura do incumprimento é inevitavelmente repercutida sobre toda a sociedade.

Quem são os responsáveis?

Os gestores públicos e os políticos - uns confundem-se com os outros - que estão à frente das instituições do Estado. Mas eles só são incumpridores para com os outros, porque, quanto a eles, pagam-se respeitosamente os seus vencimentos de funcionários públicos com avanço, ao dia 25 de cada mês, cinco dias antes do que seria devido.

O lamento da Presidente da CMVM tornado público ontem é muito significativo. A CMVM é o órgão do Estado que tem por missão zelar para que todas as operações realizadas nos mercados financeiros sejam feitas de forma limpa.

Mas nem com a  CMVM o Estado consegue ser limpo em matéria financeira. Não entrega à CMVM o dinheiro que lhe pertence.


07 junho 2017

essa figura tutelar


O Salazar fez do lema "tornar o Estado uma pessoa de bem" o principal lema dos seus primeiros anos de governação. E conseguiu.

Os países que acompanham Portugal nesta estatística são reveladores da sua cultura comum.

Precisam de um Pai que lhes dê o exemplo e que os ponha na ordem quando transgridem.

Sem essa figura tutelar, nunca se tornarão adultos pelos seus próprios meios.

Comportam-se como uns irresponsáveis e uns meninos mimados, que querem tudo para eles e nada para os outros.